Depois de ter sonhado, no último sábado, que ela tinha se curado da doença e estaria voltando à vida normal, hoje recebi a notícia de que minha amiga Gisselle Zordan foi vencida pelo câncer.
Para falar de Gisselle tenho que voltar à minha infância na década de 80. Éramos um grupo de mais ou menos 10 crianças. Meís, Everaldo, Sílvio, Jocelia, Mara e Gisselle e tantos outros. Morávamos todos de frente para o outro. Brincávamos todos em frente à minha casa. Todos os dias. Com sol, com chuva. Uma grande família de crianças. Algo meio “Garotos Perdidos” de Peter Pan. Usávamos a imaginação e de repente estávamos na nossa própria Terra do Nunca.
Ótimas memórias da minha infância.
Mas ao contrário do que acontece na Terra do Nunca, as crianças crescem... e nós crescemos e fomos dando rumos diferentes às nossas vidas. O rumo que Gisselle escolheu, depois de alguns anos trabalhando como repórter na TV Guarapari, foi ir para Londres onde se casou com o inglês Jeff.
Em 2006 eu fui estudar em Londres e devido alguns contratempos, fiquei meio que perdido naquela cidade. Foi então que Gisselle estendeu a sua mão e me acolheu em sua casa durante algum tempo. Tempo para que eu me adaptasse à nova vida na cidade dos meus sonhos.
Um dia antes de voltar para o Brasil, ela me levou para passear no Regent’s Park. Não era o seu preferido, assim como eu, o parque preferido dela era o St. James Park – em frente ao Palácio de Buckinghan. Mas naquele dia ela quis que eu visse as tulipas do Regent’s Park. Depois de um inverno monocromático, os famosos jardins estavam começando a nos agraciar com as centenas de cores das suas flores.
Passeamos a tarde toda. Fomos a um Café, falamos do futuro e combinamos de nos encontrar em breve. Em qual cidade ainda não sabíamos. Eu torcia para q fosse em Londres e o mais breve possível.
Em 31 de março de 2008 nasceu seu filho Tom. A felicidade da chegada de uma criança é sempre contagiante. Infelizmente, logo depois da chegada do bebê Gisselle desenvolveu um tipo raro de câncer. E depois de mais de um ano de muita luta e tratamentos a doença a levou.
Não há muito o que falar nesses momentos de dor. Só registro aqui que os verdadeiros sentimentos transcendem a ilusão de tempo/espaço a qual vivemos. Digo também, que o conceito de amizade atualmente anda tão deturpado (como o conceito de quase tudo, na verdade). E que fico feliz por conhecer a verdadeira amizade. Aquela que faz termos laços que nos unem eternamente.

Gustavo Maioli Garcia
Um comentário:
Todos teremos nossa hora! E nada...Mas nada mesmo é fortuito! Não importa em quem, o que, quando acreditamos...mas sempre na certeza de que no outro lado as pessoas sempre estão melhores! Beijos, Gu
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